terça-feira, fevereiro 26, 2008

Novidades minhas

Fisicamente já estou melhor.
Psicologicamente é que tenho vindo a piorar.
Comecei a chorar, não por ter perdido o bebé ou por estar revoltada com o que me aconteceu, mas sim, sem motivo aparente.
Por várias vezes comecei a chorar por motivos "ridiculos", por exemplo, por a Pipa ter feito chichi nas calças, por o Rui dizer-me que chega mais tarde do trabalho porque tem uma reunião,...
Fiquei preocupada com isso e hoje fui ao meu médico, de medicina interna, que me disse para ter cuidado com as depressões. O normal é com o passar do tempo a dor ir atenuando e não o contrário.
Assim estou em "alerta amarelo".
Tenho que evitar entrar numa depressão.
Assim, amanhã volto ao trabalho (para estar BEM ocupada) e para a semana retorno às minhas aulas de dança (apesar de estar lesionada de um braço).
Nas férias da Páscoa vamos uns dias para fora com a Pipa, e depois, vamos deixá-la com os meus pais, e vamos, só os dois, uns dias para a neve, matar as saudades do snowboard. (Acho que vou morrer de saudades da Pipa, mas vai fazer-nos bem descansar e descontrair)

Novidades do bebé

Hoje soube, graças a um amigo, novidades do meu bebé.
Segundo a técnica que o examinou, não tinha nenhuma malformação grave que fosse visível.
O bebé já não estava em muito bom estado. Não só pela pressão que sofreu com a expulsão, como pelo facto de já estar morto na minha barriga há bastante tempo.
No entanto há exames que não podem fazer, porque ainda era um bebé de 8 semanas ou porque não estava em muito bom estado.

Isto são boas notícias. Pelo menos, é pouco provável que os meus abortos sejam consequência algum problema genético grave, que eu ou o Rui tivessemos (e que faria com a Filipa fosse "uma grande sorte").
Talvez seja algum problema hormonal ou imunológico, ou... mesmo muito azar junto.
Não quer dizer que este bebé não tivesse uma trissomia qualquer...mas ainda era muito cedo para a determinar. No entanto essas situações são azares... que quanto mais velhas, mais sujeitas a eles estamos.
Fiquei um pouquinho descansada.
Hormonal ou imunológico parece ser mais fácil de resolver (espero eu)
Vamos ver o que os exames dizem...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A minha cantora

A terra gira,
também sente,
vive e respira como a gente...

versão Pipa:
A guerra gira,
vicente,
vive e pira, como a gente...

Andei dias a descobrir qual era a música "do Vicente", do "CD do gato", que a Pipa queria ouvir. A do lixo e a da estela do mar, eu ia conseguindo pôr quando ela me pedia...mas a do Vicente era difícil. Qual seria?
Só este fim de semana, quando ela ia no carro, muito contente e entusiasmada a cantar, é que percebi qual era a música do Vicente. :-)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Pipa

Esta manhã, ao pegar ao colo na Pipa ela disse-me: "mãe, não pode, tem um bebé na barriga".
(Isto era o que lhe diziamos, quando eu estava grávida, para que ela compreendesse que eu não podia fazer esforços.)
- Oh, Pipa, a mãe já não tem um bebé na barriga. Estava estragado. Qualquer dia a mãe arranja outro.
Ela olhou para mim surpreendida, e eu disse-lhe de uma forma entusiasmada : "Agora já posso pegar ao colo na minha Pipoquinha"
Ela fez aquele sorriso, de felicidade, que eu adoro :-)
E dei-lhe muitos beijinhos.

Passado algum tempo, o pai entrou no quarto para se despedir de nós. Ela disse-lhe, naturalmente: " O bebé tava estagado".

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

E a saga continua...

Hoje, após ter ido ao centro de saúde tive que voltar ao hospital.
O médico do centro de saúde passou-me a baixa, apesar de não ter nenhuma prova escrita de que tinha sofrido um aborto. Papel que deveria ter trazido do hospital, passado pela médica que me fez a curetagem (que nem sei quem foi).
Voltei ao hospital para o pedir, mas parece que só o conseguirei amanhã.

Enquanto lá estive deu para perceber que não estou tão bem, psicologicamente, como pensava.
Cruzei-me com uma recém mamã, que vinha com o seu filhote na cama e, imagino eu, ser o pai ao lado, do bloco de partos para o quarto.
(Este foi um dos momentos que mais desejei ter, antes da Pipa nascer, e que passou tão depressa...)

Não aguentei e emocionei-me...
Ainda está "fresco" :-(

Primeira resposta do hospital

Já recebi a primeira resposta do hospital. :-)
O Conselho de Administração tomou conhecimento do conteúdo da minha reclamação, e remeteu-a para a Direcção do Serviço de Obstetrícia, afim de averiguar o sucedido com a assistência que me foi prestada na Urgência Obstétrica. Logo que tenham os esclarecimentos necessários enviarão uma resposta por escrito.

Fico, ansiosamente à espera.

Fisicamente, ainda estou a recuperar. Sinto-me muito cansada. Deve ter sido de ter perdido muito sangue e ter ficado anémica. Custa-me imenso a comer...não me apetece nada :-(´
Comer é mesmo um sacrifício, para mim, neste momento...tenho-me obrigado.

Psicologicamente estou melhor de dia para dia. Ter esperança no futuro está-me a ajudar a superar a perda do bebé.

Hoje vou a uma consulta no Centro de Saúde. Depois conto-vos como correu.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A curetagem

Olá a todas(os),
Tive alta do hospital domingo de manhã.
Este aborto foi muito difícil, psicologicamente.

Quero agradecer às enfermeiras das urgências do HSFX todo o apoio que me deram, em especial, às enfermeiras: Vera, Viviana, Maria José, Patricia e Joana. Quero também agradecer ás enfermeiras e auxiliares do 4º piso que me deram a atenção necessária na altura em que precisei.
Por último quero agradecer à Dra Paula, por ter sido atenciosa comigo e ter demonstrado ser uma boa profissional.

Vou contar-vos a minha saga no Hospital... e o motivo pelo qual fico muito triste, e envergonhada, com o nosso sistema nacional de saúde. E pelo qual vou apresentar uma reclamação à entidade responsável.

Na 5ª feira, à meia-noite tomei o primeiro comprimido Cytotec. Depois voltei a tomar às 4h e às 8h, e a seguir fui para o hospital, em jejum, como me tinha "mandado" o médico que detectou o aborto retido.

Fui atentida por uma médica, Drª Paula, que foi muito atenciosa comigo. Explicou-me o processo, (que eu , infelizmente, já conhecia) e colocou-me os comprimidos no colo do útero para provocar as contrações e dilatar o colo. A seguir faria-me a curetagem.

Por volta das 17 horas a médica vem ter comigo para me fazer a curetagem, mas na altura eu já tinha expulsado o bebé (que foi colocado num frasquinho para análise) e ainda estava a perder sangue e a expusar conteúdo uterino. Por este motivo resolveu esperar...até podia ser que saísse tudo naturalmente e isso evitaria a curetagem, o que seria óptimo.

No entanto, pouco tempo depois, as contracções acabaram e comecei a perder pouco sangue.
Fez-me uma eco e como ainda tinha restos decidiu avaçar para a curetagem. No entanto, tal não foi possível pois estava a decorrer uma cesariana de emergência. Decidiu então colocar oxitocina no soro para provocar novas contracções do útero.

Fiquei à espera... com esperança que tudo se resolvesse sem recorrer à anestesia geral.

Entretanto eram 21h, mudança de turno. Disseram-me que a equipa que iria entrar ao serviço iria reavaliar a minha situação e, ou avançaria para a curetagem, ou até poderia tentar mais "uma dose" de oxitocina.

Aí começou o meu pesadelo.

Fiquei à espera que os médicos aparecessem...

Às 2 da manhã, já um pouco furiosa, pedi que, se não me iriam fazer a curetagem nessa noite pelo menos me dessem de comer. Às 2 e meia lá me trouxeram um leite, pão e bolachas. Os médicos...nem vê-los...`

Acho que por volta das 5 da manhã um enfermeiro (ou seria médico...nem sei) veio ver se eu estava a perder sangue, e como perdia pouco mandaram-me para o 4º piso - internamento de ginecologia, dizendo-me "de manhã desce para lhe fazerem a curetagem". ( Pelo que percebi estavam com falta de camas nas urgências/recobro).

Na manhã seguinte, perguntei quando descia. Pelo que uma enfermeira me respondeu : "Ah! Se calhar não desce de manhã, eles estão muito ocupados, têm 3 curetagens e 1 cesariana."

E eu???????? O que estou cá a fazer??????

Comecei a entrar em desespero e desatei a chorar. As enfermeiras, e as auxiliares foram queridas e tentaram animar-me. Não me deixaram sozinha... telefonaram e insistiram com as médicas de serviço, pelo que passado um bocado lá fui eu novamente recambiada para a urgência, onde me fizeram uma eco que confirmou a necessidade de fazer a curetagem.

As médicas pareciam zangadas pois o "turno da noite" tinha deixado 3 curetagens por fazer. (Os tais médicos "fantasmas").

Este dia foi terrível para mim, do ponto de vista psicológico. O que vale é que tenho a Pipa e as lembranças dela, da gravidez dela e do parto iam me dando força. Posso não voltar a passar por esse momento maravilhoso, mas já o tive, pelo menos uma vez na vida (até sou sortuda). E isso ajudava-me naquele momento, em que à minha volta, só via grávidas a dirigirem-se para a casa de banho para mudarem de roupa e ficarem internadas para terem os seus bebés. Ouvia os batimentos cardiacos dos bebés durante os CTG... era duro.

No entanto, o facto de já ter expulsado o bebé, e portanto já não o ter, morto, na minha barriga tb me ajudava do ponto de vista psicológico.

Continuava à espera...em jejum. Fartei-me de chorar. Tentava -me controlar, especialmente quando comecei a partilhar o quarto com uma grávida, mas estava a ser muito difícil. Só queria ir-me embora, sair dali e ir para casa abraçar a Pipoquinha. Já não a via desde 5ª de manhã e nunca tinha estado tanto tempo sem ela. Nem falar ao telefone, com ela, podia pois não me deixaram ficar com nada meu.

As enfermeiras eram umas queridas, ouviam os meus desabafos, tentavam animar-me fazendo-me perguntas sobre a Pipa. Sempre que podiam, chamavam o Rui para me vir dar um miminho. E ele lá ficava comigo até alguém o mandar embora. (Ainda tentámos ligar à minha mãe para saber notícias ou falar com a Pipa, mas não tinhamos rede no quarto).

Éramos 3 para fazer curetagem. Quem seria a primeira?

As outras duas foram primeiro que eu. Apesar de terem entrado no Hospital depois de mim, mas perdiam mais sangue e o meu caso parecia estabilizado.

Da porta do meu quarto via -as a entrarem e a sairem do bloco operatório... estava ansiosa, e nervosa, à espera da minha vez.

A última saiu... Finalmente sou eu, pensei.

Mas, chegou uma grávida em trabalho de parto com a dilatação toda feita e um bebé transverso. Cesariana de emergência... as médicas e anestesistas começaram a correr em direcção a outro bloco.

Fiquei desiludida, mas compreendo perfeitamente o facto de eu ter ficado para trás... há situações muito mais importantes, e a vida daquele bebé e daquela mãe são muito mais importantes do que o meu sofrimento psicológico.

Durante umas horas parecia não existirem médicas na urgência do hospital. Já não chamavam ninguém que estava à espera para ser atendido nas urgências nem se viam a andar de um lado para o outro, nos corredores.

E eu continuava à espera...nesta fase estive mais calma, tive a companhia do Rui e sabia que a seguir seria a minha vez.

Mas, a cirugia acabou...e eu continuava à espera.

Estava sempre a perguntar às enfermeiras quando era a minha vez. Elas diziam-me para ter paciência... uma delas dizia-me que estava a pressionar as médicas para me atenderem. As próprias enfermeiras pareciam solidárias comigo e compreendiam o meu sofrimento.

Perto das 19 horas vêm-me dar más noticias : "já não me iam fazer a curetagem".

Desesperei. Disse que me queria ir embora, o que estava ali a fazer desde a véspera e em jejum??? Já pensava sair dali e ir a uma urgência de outro hospital ou até para o privado e pagar pela curetagem...já não aguentava mais a pressão psicológica.

O Rui entretanto apanhou também uma das médicas e começou a refilar.

O que é certo é que 5 minutos depois, já eu estava no bloco operatório. FINALMENTE às 19.30 era a minha vez de acabar com este sofrimento.

Ainda tive um ataque de choro na sala de operações. Não era só pela tensão que sentia e pela vontade de sair dali, mas era o facto de comparar esta situação ao primeiro aborto que fiz, nesse caso no HGO, em que estava de mais tempo de gravidez, mas tinha uma "CUNHA" no Hospital e isso, INFELIZMENTE no nosso país, parece fazer toda a diferença.

As médicas anestesistas foram super queridas, lá me acalmaram e adormeci.

Finalmente acabou!!!

Quando acordei da anestesia parecia outra pessoa. Voltei a ter força. Voltei a ter esperança no futuro. Voltei a sorrir.

Quase que tive alta no sábado às 11 da noite, mas o facto de ter perdido muito sangue, na véspera na altura da expulsão, e a minha tensão estar a 7-3, não me deixaram sair. Fizeram uma análise ao sangue, mas felizmente não precisei de levar trasnfusão.

Saí domingo de manhã. :-)

Agora ainda estou a recuperar fisicamente. Sinto-me cansada. Não tenho fome. E ando enjoada (especialmente à noite), não sei se ainda não serão enjoos provocados pelas hormonas da gravidez.

Psicologicamente vou estando melhor. Já me adaptei à ideia de que já não estou grávida. Apesar de me sentir muito triste,de vez em quando, mas o tempo há-de curar... cura tudo!!

E não vou desistir!!!! Vou fazer exames e tenho esperança de poder voltar a tentar engravidar. E essa esperança dá-me força e anima-me.

Se tiver que desistir...pelo menos tenho a minha querida filhota que ADORO!!!!!!!!!!!!

E desculpem o testamento.......




quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Más notícias!!

Olá a todas(os)
Não tenho boas notícias. :-(
Esta manhã tive uma pequena perda de sangue pelo que fui às urgências do Hospital a seguir às aulas.
O bebé já não tem batimento cardiaco. Tem o tamanho de, aproximadamente, 8 semanas, pelo que já morreu há umas semaninhas. :-(
Daí a diminuição dos enjoos...

Esta noite vou começar a tomar uns comprimidos e amanhã vou fazer uma raspagem :-(
Estou triste...como calculam...mas não estou tão mal, como tive antes de ter a minha Pipoquinha.

Depois vou fazer exames, pois não me apetece passar por tudo novamente. E só depois disso decidiremos se tentaremos de novo um(a) mano(a) para a Pipa.

Depois dou notícias...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Quase 12 semanas...

Para a semana, dia 13, tenho a eco das 12 semanas e por isso já ando com nervoso miudinho.

Os enjoos já quase que passaram...pelo menos a fase mais complicada, mesmo tomando o nausef, parece já ter acabado.

Mas, felizmente, não passaram na totalidade, pelo que sei que o meu bebé continua a desenvolver-se.

Esta fase, enquanto não sentimos o bebé não é fácil, especialmente para quem já abortou tantas vezes como eu.

Depois venho cá dar novidades...



P.S. Algo me diz que desta vez será um rapaz...será?

Carnaval 2008


E lá nos mascarámos mais uma vez...
A Pipa de cachorrinho e eu de ovelha.
Mas eu não era uma ovelha qualquer... era uma ovelha branca (titular)e estava inserida num grupo que incluia para além de algumas iguais a mim:
- outras ovelhas, negras (professores de 2ª);
- um cão (Gualter Remos);
- um lobo mau ( adivinhem quem?);
- o pastor (O Director);
- alunos a comemorarem o seu novo estatuto : " NUMKA MAIS XUNBAMOS, JÀ NUS PUDEMOS BALDAR".
Há que brincar com as nossas tristezas...
P.S. Ficámos em segundo no concurso das máscaras...ganharam umas abelhas...porque será?

Jogos de professores

Mais uma vez, lá fomos nós para os Jogos dos professores.
Foram uns dias muito bem passados em Cabanas de Tavira.
A Filipinha adorou.
Este ano, com muita pena minha, não pude fazer nenhuma actividade.
Ainda tentei a hidróginástica (acompanhada da Pipa), mas tive medo de estar a abusar.


Por isso aproveitei, apenas, para passar uns momentos muito bons com a minha Pipoca.